sábado, 3 de maio de 2008

Banca Rôta

Essa foi com o Robson.
Numa das primeiras viagens que fiz com o Robson de trem para Mogi, nós pegamos cada qual o seu cantil e colocamos vinho tinto no lugar da água e lá fomos nós para a Estação Roosevelt, no Brás. E no balanço do trem, dá-lhe gluglu do cantil no gogó. Chegando em Mogi, procuramos uma casa de fliperama - anos 70, é bom lembrar - e ficamos por lá comprando fichas e jogando até as 23:20 hs, pois as 23:40 hs saía o último ônibus para Taiaçupeba, onde eu e ele - entenda-se "nossos pais" - tínhamos chácara. Estamos caminhando rumo ao ponto de ônibus e eis que "cadê o dinheiro? Está com você?", perguntei: "comigo não.", disse ele: "estou sem nenhum puto!" "Então estamos ferrados." eu disse, tirando as mãos do bolso numa frustrada procura por algum vintém.
A única saída literalmente que vimos, foi caminhar até a estrada para tentarmos uma carona.
Notem a estupidez do ser humano nestas horas: já era quase meia noite e nós esperávamos conseguir uma carona nesse horário, para um lugar onde ninguém vai. Taiaçupeba, para quem não conhece, é um vilarejo perdido a 28 Kms de Mogi das Cruzes, onde na época só existiam algumas casas, botecos e chácaras isoladas.
Mesmo assim, heróicamente nos plantamos no acostamento da estrada a espera de um milagre. Uma hipótese, seria pegar uma carona qualquer até o ponto em que o motorista fôsse e depois gastar sapatos no restante do caminho, desde que, é claro, algum desmiolado nos desse carona a meia-noite. Os maus pensamentos já tomavam conta de nossas mentes quando um furgão parou no acostamento. O milagre pois a cabêça para fora do carro: era o Jairinho. "Robson? Marcelo? Tão perdidos?" Resumimos a história e ele disse para entrarmos no carro, que viemos a descobrir ser um táxi.
Durante o trajeto, fomos comentando da sorte que demos e o Jairo - que na época estava envolvido com política - em determinado momento soltou a bomba e pediu para ajudarmos a pagar o táxi. "Você não entendeu, nós estamos zerados" disse o Robson. É mole?! O cara queria que contribuíssemos com algum mesmo depois de ouvir a nossa falída história: coisa de político. Ele achava que estávamos escondendo o ouro. Aliás, eu nunca vi alguém cobrar uma carona. Enfim, chegamos em Taiaçupeba por volta da uma da madrugada e nos demos conta que não tínhamos onde dormir. Mas isso é uma outra história, para um outro tópico...

Nenhum comentário: