
Nós não tínhamos empresários, mas em compensação haviam vários metidos a empresários: eu mesmo, o Humberto, o Hermínio, o Alê, o Magrão e, pasmem, o Padilha( figura lendária de Taiaçupeba, dono da lanchonete que leva o seu nome e onde era ponto obrigatório de encontro de toda a turma)!
Certo dia - que jargão horrível! -, baixou um circo em Taiaçupeba e lá vem o Padilha falar com a gente que, se quiséssemos, ele mexia nos pauzinhos para tocarmos lá. Bem, para uma banda que até então só havia se apresentado uma única vez, é claro, aceitamos: "não rola dinheiro", disse ele. Tudo bem. Tocamos por esporte, tesão, e evidentemente, por amor ao rock'n'roll. Mas cá entre nós, o Padilha devia ter algum acordo com o dono do circo. Pensemos: ele patrocinava o tal circo e ao invés de ceder comida e bebida aos artistas circences, deve ter dito ao dono do circo: entro com os artistas para participar do seu espetáculo e aumentar o público, já que os meninos - nós - são cria da terra - na verdade só eu - e vão chamar público. Realmente. Quando e se encontrar as fotos, mostro o "público" que levamos: seis ou sete amigos. Talvez para um pequeno circo de lona numa cidade com poucos recursos tenha sido bom para o proprietário. Jamais saberemos. O que posso dizer é que para nós, foi mais um passo, mais uma experiência. O público, quase todo formado por crianças, olhava com aquele olhar curioso que só as crianças tem. Os "amigos" estavam na deles, zuando, sem dar muita atenção ao que acontecia no palco, com exceção do Joel, que a tudo observava sem perder um detalhe, porém o tempo mostrou que ele, um roqueiro exigente, não nos acompanhou mais. Talvez quis nos comparar com os gigantes do rock, o que seria uma covardia, afinal estávamos apenas tentando tocar o bom e velho rock'n'roll.
Nenhum comentário:
Postar um comentário