domingo, 1 de junho de 2008

O Bom de Estrada - Participação Especial do Humberto


Dezoito anos. Tirei a carta, hehe!! Peguei a CNH numa 5a feira e na sexta, resolvi ir para o sítio. Pensei: "não vou convidar ninguém. Quem é o maluco que vai querer viajar com um motorista sem experiência alguma?" O Alê! "Que bom, não vou sozinho." Caímos na Marginal Pinheiros e pegamos uma tempestade logo de cara. Passei de baixo de um pontilhão e fomos deslocados pelo tempo e espaço por uma gigantesca poça e até hoje não consegui entender como não causamos nenhum acidente: o volante fez tudo sozinho, sem uma única ajuda minha. Na Dutra - na época não existia a Ayrton Senna -, foi aquela tensão: "manter a faixa!" gritava eu. "Ultrapassa esse lerdo!", incentivava o Alê. E assim, Marginais, Dutra, Mogi-Dutra, chegamos sãos e salvos a Mogi. No centro da cidade, obtivemos alguns comentários pouco educados por parte de alguns inimigos, digo, motoristas. Mas conseguimos atravessar a cidade sem nenhum arranhão. Caímos na então estrada de terra Mogi-Taiaçupeba e foi um festival de desviar de um buraco pequeno e cair num bem maior - aliás, a minha amiga Tânia Cristina costumava dizer que eu tinha o dom de desviar o carro para dentro dos buracos: um beijo para você e saiba que eu continuo com essa maravilhosa noção até hoje - Ufffff!!! Chegamos. Todos os amigos de lá, ficaram surprêsos: O Joel, o Jefferson. Ninguém imaginava que eu tentaria essa proeza logo no primeiro dia de carta.
A volta. Foi muito mais segura. Já voltei dirigindo com uma só mão, cigarro na outra. Deixei o Alê na casa dele e cheguei na minha, dirigindo sozinho da Moóca até Santo Amaro sem nenhum prblema. Aí resolvi ligar pro Humberto para irmos na casa do Turco. Tudo no mesmo bairro, dava para fazer a pé. Mas a carta, o carro, a imbecilidade, falaram mais alto. E lá fui eu. Passei no Humberto, foi aquela farra. "Vamo embora!", disse ele, entrando no carro. Chegamos lá e o Turco e o Sasquá vieram olhar o carro. Aí fizemos o de sempre: falamos de rock, ouvimos rock e profetizamos uma banda de rock nossa. "Vamos embora." Saímos da casa do Turco, entramos no carro e fomos. Assim que eu saí com o carro, caiu uma fita cassete no chão do carro, do lado direito. O imbecil - eu -, abaixou para pegar a fita. A mão esquerda que estava segurando o volante, acompanhou o movimento do corpo e não dá pra contrariar a física: o carro acompanhou o movimento da mão esquerda para o lado direito e... BUUMMMMM!! Batemos num Fiat Uno que estava descansando, veja você, estacionado na rua, fora da garagem. Que absurdo! A dona do carro morava ali e talvez, num ato de preguiça, não colocou o carro na garagem. A garagem vazia e o carro estacionado em frente à garagem. Como pode?! Coitado do Humberto. Tacou a cabeça no vidro.
O chevette dourado ficou com a frente toda engruvinhada, e o pior, não saía do lugar. A dona saiu descontrolada, parecia uma louca: " seu imbecil! Você está bêbado! Eu exijo que você faça o quatro agora!" Exijo?! É uma palavra que não consta no meu dicionário. Até porque, acreditem, na época eu não bebia: Eu apenas era totalmente inexperiente ao volante. Resultado: chamamos o guincho. Ah, sim, a desequilibrada ficou uma semana sem carro. E o Humberto? Coitado. O susto foi grande. Ele sim, não merecia passar por aquilo e mesmo assim, me deu apoio. Um verdadeiro amigo. Lembro que me gastei em desculpas com ele e ainda assim ele dizia "tudo bem" e me abraçava. Foi daquelas experiências inusitadas. Foi só uma das que passamos juntos.
Resumo da obra: peguei estrada no dia seguinte em que tirei a carta, pegando Marginal Pinheiros e Tietê com chuva forte, Dutra, trânsito em Mogi, volta da viagem e nada aconteceu. Chego em SP e dirijo por alguns minutos dentro do meu bairro e bato o carro. Olho gordo?! Numa próxima história vocês próprios tirarão suas conclusões.

Um comentário:

Unknown disse...

Cecé, vc esqueceu da fase Ahhh, é?!?!