Nos anos 70, final de ginásio, começo de colégio, tinhamos eu, o Humberto e o Neves o hábito de batermos uma pelada na rua Inácio Borba, que fazia esquina com a casa de meus pais. A coisa acontecia meio que no improviso, sem traves, sem demarcações, apenas o asfalto e um paredão enorme onde carimbávamos chutes estrondosos, sem nenhuma dó do muro do Seu Percy. As vezes se juntavam a nós alguns coadjuvantes como o Matuoka, o Alê ou o Renan que tentavam sem nenhum resultado se igualar nas barberagens que faziamos em um pequeno espaço de rua, mas que só nós três conheciamos como ninguém e já éramos craques malabaristas daquele mini-campo de rua.
O curioso é que já naquela época, a tal rua era extremamente movimentada e eu me lembro que quando começamos a desfilar nosso maravilhoso futebol por lá, tinhamos certa dificuldade em dividir a rua com os numerosos veículos que por ali transitavam sem se importar com um bando de garotos retardados que por falta do que fazer, ficavam arriscando suas pobres vidas naquelas circunstâncias. Bem, para resolvermos tal obstáculo, acabamos criando meio que no sem querer, um código nosso para não nos transformarmos em notícia de página de jornal como o "Notícias Populares", dando entrada em hospitais regionais ou sabe lá, inaugurando lápide recém comprada por algum familiar que mal houvesse estreado a mesma, já tivesse de emprestá-la para um parente desgraçadamente necessitado. O código continha a seguinte frase falada sem economia de pulmões: "parôôôô!!", para quando estivesse se aproximando o perigo a quatro rodas; e "começôôôô!!", para quando o quadrúpede motorizado já tivesse terminado de atrapalhar nosso explendoroso espetáculo futebolístico. O "sem querer", acabou virando o "toda vez" e aí que durante todo o jogo, era aquela gritaria, uma vez um, outra vez, outro. Confesso que eu tinha uma tesão mórbida para querer gritar todas as vezes, mas é claro, deixava também que os outros o fizessem.
O tempo passou e evidentemente, começamos a ocupar(?!) nossas vidas com outros afazeres mais intelectuais e paramos com essa compulsão por jogar enfrentando o perigo. Não sei quanto tempo depois e nem me lembro como aconteceu, nos vimos lá novamente, mas apenas num revival, portanto uma única vez e é claro também como não poderia deixar de ser, em dado momento lembramos daquele velho refrão da contra-cultura e lançamos mão desbragadamente dele: no início foi só uma vez, pelo sarro, mas depois não parou mais durante todo o tempo que ficamos ali naquela tarde, mas dois de nós não estavam mais achando tanta graça como antigamente, que aquele tróço esquisito ficasse ecoando ali sem parar, afinal já estávamos bem crescidinhos. Só por malandragem de minha parte, vocês conseguem imaginar quem dos três é que ficava utilizando o antigo chavão sem parar, como um papagaio gago? Este humilde redator: lavei a égua e tenho certeza também que enchi bem o saco dos outros dois. Então aproveito o momento para me desculpar aqui com o Neves e Humberto, mas não se iludam, não me arrependi nenhum pouco naquele dia...
quinta-feira, 19 de junho de 2008
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3 comentários:
Primo,
Seu blog está bom demais da conta.
beijos
Selma
Cece,
Coloquei seu blog lá no meu, para trocarmos farspas amigas.
Beijocas
Se
Cece,
Deixei um mimo pra você lá no Varanda.
abçs
Selma
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